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02/09/2026 | Sua Saúde

Abril Vermelho: o que a campanha alerta sobre hipertensão

Entenda o que é o Abril Vermelho, por que a hipertensão é uma doença silenciosa e como prevenir e controlar a pressão alta no dia a dia.

Por: Leve Saúde

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Tema

Introdução

Você sabia que quase 30% dos adultos brasileiros têm pressão alta? Isso é o que aponta o Vigitel Brasil 2006-2024, pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em janeiro de 2026. 

O número impressiona, mas o que preocupa ainda mais é o que está por trás dele. A hipertensão arterial avança em silêncio, sem sintomas perceptíveis, e muitas pessoas chegam ao diagnóstico apenas quando uma complicação já aconteceu. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 44% das pessoas com pressão alta no mundo não sabem que têm a condição — quase metade dos hipertensos, sem diagnóstico e sem tratamento.

É exatamente para quebrar esse silêncio que existe o Abril Vermelho, campanha nacional de prevenção e combate à hipertensão arterial realizada todos os anos durante o mês de abril. O nome é uma referência direta ao coração, ao sistema cardiovascular e à urgência de cuidar de uma doença que é, ao mesmo tempo, tanto comum quanto subestimada.

Neste conteúdo, você vai entender o que é o Abril Vermelho, por que a doença merece atenção mesmo quando não provoca sintomas, quais são os fatores de risco e como prevenir e controlar a pressão no dia a dia. 

O que é o Abril Vermelho?

Toda campanha de saúde pública tem duplo sentido: conscientizar e mobilizar. Com o  Abril Vermelho não é diferente: ela cumpre os dois papéis, com foco em uma das doenças crônicas mais prevalentes do país. 

A campanha acontece ao longo de todo o mês e ganha força especial no dia 26, data que marca o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, instituído pela Lei 10.439/2002.

Ao longo do mês, entidades médicas de referência como a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) realizam ações próprias de conscientização. 

Um exemplo é a campanha "Acerte Sua Pressão!", do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC, que em 2026 levou a aferição de pressão a espaços públicos de grande circulação e incorporou as orientações da nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, publicada em 2025. O objetivo foi simples: levar o cuidado para fora dos consultórios e alcançar quem ainda não sabe que precisa de atenção.

Mas, afinal, o que a campanha alerta sobre a hipertensão? A resposta começa por entender uma doença que afeta quase um em cada três brasileiros adultos — e que a maioria não percebe que tem.

Por que a hipertensão merece atenção?

A hipertensão arterial não é uma doença rara e nem uma preocupação distante. Ela está entre as condições crônicas de maior impacto em saúde pública no Brasil e afeta pessoas de todas as idades, embora com muito mais frequência à medida que os anos passam. Para entender por que o Abril Vermelho existe, vale começar pelo início.

O que é pressão alta?

A pressão arterial é a força que o sangue exerce sobre as paredes das artérias a cada batimento do coração. Quando essa força fica persistentemente elevada, temos o que chamamos de hipertensão arterial sistêmica. 

Ela é caracterizada por valores iguais ou superiores a 140 mmHg na pressão sistólica e/ou 90 mmHg na pressão diastólica — o famoso "14 por 9" — conforme definição do Ministério da Saúde.

Vale mencionar que a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, elaborada em 2025 pela SBC em conjunto com as sociedades de nefrologia e de hipertensão, passou a considerar pressão de 12 por 8 como um sinal de pré-hipertensão. O alerta para o cuidado, portanto, começa antes do diagnóstico formal.

Por que a doença é silenciosa?

A principal armadilha da hipertensão arterial é que, na grande maioria dos casos, ela não provoca sintomas perceptíveis. Não há dor constante, não há cansaço evidente, não há sinal visível de que algo está fora do lugar. A pessoa segue a rotina normalmente, se sente bem e não tem nenhum motivo aparente para buscar atendimento médico.

Esse silêncio é exatamente o que torna a doença tão perigosa. Enquanto a pressão permanece elevada sem ser tratada, o organismo vai acumulando um desgaste que, com o tempo, compromete órgãos vitais. Muitas pessoas chegam ao diagnóstico apenas quando uma complicação já aconteceu. Daí a importância de medir a pressão de forma regular, e não apenas quando algo parece errado.

Quais complicações ela pode causar?

Quando a pressão arterial se mantém elevada por muito tempo sem controle, o coração precisa fazer um esforço constante e excessivo para bombear o sangue. Essa sobrecarga, ao longo dos anos, deteriora as artérias, compromete o músculo cardíaco e afeta órgãos que dependem de um fluxo sanguíneo adequado para funcionar bem.

A hipertensão não controlada é um dos principais fatores de risco para:

  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Insuficiência cardíaca;
  • Doença renal crônica.

A boa notícia é que complicações graves são, em grande medida, evitáveis. O controle da pressão arterial por meio de hábitos de vida, acompanhamento médico e, quando indicado, medicação, reduz de forma significativa o risco de todos esses desfechos. Mas para controlar, é preciso primeiro saber. E é aí que entra a importância de identificar quem tem mais risco.

Quem tem mais risco de desenvolver hipertensão

A hipertensão não escolhe um perfil único, mas alguns fatores aumentam consideravelmente a probabilidade de desenvolvê-la. Conhecê-los é o ponto de partida para uma atenção mais consciente com a própria saúde.

Idade, histórico familiar e excesso de peso

Com o envelhecimento, os vasos sanguíneos perdem elasticidade de forma natural, o que aumenta a resistência ao fluxo do sangue e eleva a pressão. Por isso, a prevalência da hipertensão cresce de forma expressiva com a idade. 

Entre pessoas com 65 anos ou mais, mais de 60% têm diagnóstico de hipertensão arterial, segundo dados do Vigitel 2018 do Ministério da Saúde. O histórico familiar também pesa: quem tem pais ou irmãos hipertensos tem maior predisposição genética para desenvolver a condição.

O excesso de peso é outro fator relevante. Quanto maior o volume de tecido corporal, maior o esforço que o coração precisa fazer para irrigar o organismo, e isso se reflete diretamente na pressão arterial, tanto que nesse perfil de paciente a perda de peso pode reduzir a quantidade de medicações necessárias para normalizar a pressão. 

Os dados do Vigitel Brasil 2006-2024 mostram que tanto a hipertensão quanto a obesidade cresceram de forma acentuada no Brasil nas últimas duas décadas, o que reforça a relação entre essas condições e a necessidade de abordá-las em conjunto.

Sedentarismo, tabagismo e álcool

O corpo humano foi feito para se movimentar, e a ausência disso tem consequências diretas sobre o sistema cardiovascular. O sedentarismo priva o organismo de um dos melhores reguladores naturais da pressão e ainda contribui para o ganho de peso e o acúmulo de outros fatores de risco. A própria atividade física é recomendada em pacientes hipertensos, e o ganho vai além da redução da pressão arterial, com melhora do tônus muscular e da capacidade física.

Além disso, o tabagismo danifica as paredes internas das artérias, favorece o endurecimento dos vasos e aumenta a pressão arterial de forma aguda a cada cigarro. O consumo excessivo de álcool, por sua vez, eleva a pressão tanto de forma imediata quanto crônica e interfere na eficácia dos tratamentos para quem já tem diagnóstico.

Consumo excessivo de sal e alimentação inadequada

Por fim, o sódio, presente principalmente no sal de cozinha e em alimentos ultraprocessados, retém líquido no organismo. Esse excesso de líquido aumenta o volume de sangue circulante, o que eleva a pressão que as artérias precisam suportar. 

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo máximo de 5 gramas de sal por dia, um limite que boa parte dos brasileiros ultrapassa com facilidade, especialmente em dietas ricas em embutidos, enlatados e temperos prontos.

Além disso, uma alimentação pobre em frutas, vegetais e alimentos integrais também contribui para a elevação da pressão, pois reduz a ingestão de nutrientes como potássio e magnésio, que ajudam a equilibrar os efeitos do sódio no organismo. 

Na prática, o que está no prato todos os dias tem mais influência sobre a pressão arterial do que muita gente imagina.

Como prevenir e controlar a hipertensão no dia a dia

A hipertensão tem uma característica que a diferencia de muitas doenças crônicas: boa parte dos fatores que a provocam e a agravam é modificável. Isso não significa que mudanças de hábito substituam o acompanhamento médico, mas que as escolhas do dia a dia têm um impacto real e mensurável sobre a pressão arterial. O cuidado começa antes do diagnóstico e se mantém depois dele.

Alimentação

Reduzir o consumo de sódio é um dos gestos mais eficazes para a saúde cardiovascular. Na prática, isso envolve:

  • Ler rótulos com atenção;
  • Diminuir o uso de sal adicionado;
  • Reduzir o consumo de ultraprocessados.

No lugar, entram frutas, vegetais, legumes, grãos integrais e laticínios com menos gordura. Esse padrão alimentar, segundo evidências consolidadas, contribui de forma significativa para o controle da pressão e produz efeitos que se traduzem em números reais na aferição, especialmente quando mantido de forma consistente ao longo do tempo.

Atividade física

O exercício regular, por sua vez, é uma das estratégias não medicamentosas mais bem documentadas no controle e na prevenção da hipertensão. Diretrizes nacionais e internacionais reconhecem que a prática regular de atividade física contribui tanto para prevenir o desenvolvimento da hipertensão quanto para reduzir os níveis de pressão em quem já tem o diagnóstico, com benefícios que se somam aos do tratamento medicamentoso, conforme orientações do Ministério da Saúde.

O ponto importante é que não é preciso começar com intensidade alta. Caminhar 30 minutos por dia, na maioria dos dias da semana, já representa um benefício cardiovascular concreto.

Sono, estresse e acompanhamento de saúde

Além da alimentação e atividade física, dois fatores costumam ser subestimados no controle da pressão arterial: o sono e o estresse. 

O Vigitel Brasil 2006-2024 revelou, pela primeira vez, dados nacionais sobre sono: 20,2% dos adultos brasileiros dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam sintomas de insônia. Dormir mal de forma recorrente ativa mecanismos do sistema nervoso que elevam a pressão arterial e dificultam seu controle.

O estresse crônico age de forma parecida. Quando o organismo está em estado de alerta prolongado, o sistema cardiovascular trabalha em sobrecarga. Por isso, identificar fontes de estresse e desenvolver formas de manejá-lo, com apoio profissional quando necessário, faz parte do cuidado com a pressão arterial.

O acompanhamento médico regular fecha esse ciclo. Mudar hábitos sem monitorar o resultado é como ajustar o tratamento no escuro. A consulta periódica permite avaliar se as mudanças estão surtindo efeito, ajustar medicação quando indicado e rastrear outros fatores de risco que podem se somar à hipertensão.

Aferição regular da pressão arterial

Por último, medir a pressão é o gesto mais simples e mais subestimado de prevenção cardiovascular. Pode ser feito em farmácias, unidades básicas de saúde ou com aparelhos domiciliares validados. 

Quem tem fatores de risco deve medir com mais regularidade e buscar orientação médica sobre o intervalo mais adequado. Para quem não apresenta fatores de risco conhecidos, medir periodicamente já é uma boa prática de prevenção.

A aferição é o que transforma uma doença invisível em algo rastreável e controlável. Sem esse dado, não há como saber se a pressão está em nível preocupante e nem agir a tempo de evitar complicações.

Cuide da sua pressão com o apoio certo

Tudo o que vimos ao longo deste conteúdo aponta para o mesmo lugar: medir a pressão com regularidade, ajustar a alimentação, movimentar o corpo, dormir bem e ter acompanhamento médico. Essas ações são parte de um cuidado que precisa acontecer de forma contínua para fazer diferença real.

E é exatamente esse tipo de cuidado que um bom plano de saúde deve oferecer. A Leve foi pensada para quem entende que saúde se constrói no dia a dia, com acesso fácil a consultas, exames e profissionais que acompanham a sua história ao longo do tempo. Se você quer conhecer as opções de planos disponíveis, acesse o nosso site e encontre o que faz mais sentido para você.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre hipertensão e Abril Vermelho

Dúvidas sobre hipertensão e sobre a campanha do Abril Vermelho são muito comuns, especialmente porque a doença envolve conceitos que nem sempre são explicados com clareza. A seguir, respondemos às perguntas mais frequentes sobre o assunto.

Abril Vermelho é uma campanha oficial?

Sim. O ponto central do Abril Vermelho — o Dia 26 de abril — tem base legal definida pela Lei 10.439/2002, sancionada pelo Governo Federal. Ao longo do mês, entidades médicas como a SBC e a SBH realizam ações próprias de conscientização, educação em saúde e orientação à população.

Quem deve medir a pressão com mais frequência?

A frequência ideal varia conforme o perfil de cada pessoa. Quem tem fatores de risco — como sobrepeso, histórico familiar de pressão alta, sedentarismo, tabagismo ou idade acima de 40 anos — deve medir com mais regularidade e buscar orientação de um profissional de saúde para definir o intervalo mais adequado. 

Quem já tem diagnóstico de hipertensão e está em tratamento deve seguir a frequência indicada pelo médico que acompanha o caso, já que o monitoramento faz parte do próprio controle da condição.

Hipertensão tem cura?

A hipertensão primária — que é a forma mais comum, sem causa identificada — não tem cura no sentido de desaparecer definitivamente, mas tem controle eficaz. Com mudanças de estilo de vida bem estabelecidas e, quando necessário, medicação indicada por médico, é possível manter a pressão em níveis normais e levar uma vida sem restrições significativas. 

O que muda é a necessidade de acompanhamento contínuo. A hipertensão pede presença nas consultas, nas escolhas alimentares, na rotina de exercícios e na aferição regular da pressão. Com esse cuidado, o risco de complicações graves cai de forma expressiva.

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