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A importância da prevenção na saúde do homem
Homens vivem menos que mulheres, mas isso pode mudar. Entenda como a prevenção e o médico de família ajudam a cuidar da saúde do homem.
Por: Leve Saúde
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Tema
Introdução
Existe um paradoxo que atravessa gerações e que precisa ser olhado de frente: os homens vivem menos, adoecem mais e, ainda assim, são os que menos procuram o médico.
Segundo o Instituto Lado a Lado pela Vida, seis em cada dez homens no Brasil só buscam atendimento quando os sintomas se tornam insuportáveis. Isso evidencia uma clara diferença comportamental entre homens e mulheres na questão de acompanhamento médico regular e preventivo
Mas e se o cuidado passasse a fazer parte da rotina? Essa é a reflexão que precisamos fazer: falar abertamente sobre saúde masculina, quebrar hábitos prejudiciais e reforçar que a prevenção é a melhor maneira de tratar.
Neste conteúdo, vamos conversar sobre os principais riscos à saúde dos homens, os exames que fazem diferença em cada fase da vida e como pequenas mudanças de hábito podem transformar o cuidado em algo constante e natural.
Panorama da saúde masculina no Brasil
Em 2009, o Ministério da Saúde deu um passo importante ao criar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH). A iniciativa reconhece algo que há muito tempo precisava ser dito com clareza: os homens têm necessidades específicas de cuidado e merecem uma atenção voltada às suas particularidades de saúde.
Mas ter uma política pública é só o começo. O desafio real está em mudar comportamentos e romper barreiras culturais, pois a resistência masculina em procurar atendimento médico preventivo ainda é forte.
De acordo com dados do Instituto Lado a Lado pela Vida, os homens continuam mais vulneráveis a doenças graves e vivem, em média, menos que as mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2017 e 2021, o Brasil registrou mais de 4,1 milhões de óbitos masculinos, sendo 601 mil causados por neoplasias e tumores, 957 mil por doenças do aparelho circulatório e 516 mil por doenças infecciosas ou parasitárias.
O dado mais importante? 36% dessas mortes poderiam ter sido evitadas com acompanhamento médico regular e hábitos de vida mais saudáveis.
As principais causas de adoecimento e morte entre homens
Boa parte do adoecimento e das mortes entre homens está ligada a doenças crônicas que podem ser controladas com prevenção, diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida.
Entre os principais riscos estão as doenças cardiovasculares, os cânceres, as doenças respiratórias e hepáticas, além das causas externas como acidentes, violência e suicídio. Conhecer esses fatores é o primeiro passo para transformar o cuidado em rotina e fazer da prevenção um hábito que salva vidas.
Doenças cardiovasculares
As doenças do coração e da circulação seguem como a principal causa de morte entre os homens brasileiros. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), elas respondem por cerca de 30% de todos os óbitos no país.
Infarto, hipertensão e AVC estão entre os diagnósticos mais frequentes, e a maioria poderia ser prevenida com mudanças no estilo de vida. A SBC e a Organização Mundial da Saúde estimam que até 80% das mortes prematuras por doenças cardiovasculares podem ser evitadas com hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle da pressão, glicose e do colesterol e abandono do cigarro.
Cânceres
Entre os cânceres que mais afetam os homens, o de próstata segue como o mais comum. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são mais de 70 mil novos casos registrados por ano no Brasil. Apesar disso, quando detectado precocemente, as chances de cura podem ultrapassar 90%.
O rastreamento deve ser discutido com o médico a partir dos 50 anos ou antes, aos 45 ou até 40 anos, em casos de risco aumentado, como histórico familiar, ou para homens negros. O exame de PSA e, quando indicado, o exame de próstata são formas simples de identificar alterações e tratar antes que a doença avance.
Além da próstata, outros tipos merecem atenção:
- Câncer de pulmão está fortemente ligado ao tabagismo e é uma das principais causas de morte por câncer entre os homens. Parar de fumar é a medida mais eficaz para prevenir;
- Câncer colorretal tem aumentado entre homens acima dos 45 anos. A colonoscopia é o exame que permite detectar e remover lesões antes que se tornem malignas;
- Câncer de fígado e de pâncreas estão associados ao consumo de álcool, hepatites virais e obesidade, reforçando a importância de manter hábitos saudáveis e a vacinação em dia.
Doenças respiratórias crônicas
A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), o enfisema pulmonar e a bronquite crônica estão entre as doenças que mais afetam a qualidade de vida dos homens. Os sintomas como tosse persistente, falta de ar e fadiga podem evoluir lentamente, mas são sinais de alerta importantes.
Parar de fumar e manter acompanhamento médico com exames de função pulmonar, em pacientes de risco, são medidas essenciais para desacelerar a progressão e preservar a saúde respiratória.
Doenças hepáticas e consumo de álcool
O consumo abusivo de álcool continua sendo um dos principais desafios para a saúde masculina. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, 7,7% das mortes entre homens no mundo são causadas pelo consumo de álcool, em contraste com 2,6% entre as mulheres.
A cirrose hepática, associada ao consumo prolongado de bebidas alcoólicas, é uma das principais consequências. Outras causas incluem hepatites virais, doenças autoimunes e acúmulo de gordura no fígado, condições que podem comprometer gravemente a função hepática se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo.
A prevenção passa por reduzir o consumo de álcool, manter a vacinação contra hepatites em dia e fazer o acompanhamento regular da saúde do fígado.
Causas externas e saúde mental
As chamadas "causas externas", como acidentes de trânsito, violência e suicídio, continuam entre as principais razões de morte de homens, especialmente os mais jovens. Esse dado revela um problema que vai além da saúde física: a necessidade urgente de cuidar também da saúde emocional.
Homens ainda procuram menos apoio psicológico e psiquiátrico, muitas vezes por vergonha ou por preconceito. Essa resistência faz com que quadros de depressão e ansiedade evoluam até situações de risco.
Cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar do corpo, e ambos caminham juntos quando o assunto é bem-estar e longevidade.
Por que os homens ainda se cuidam menos
Culturalmente, o tema do autocuidado sempre teve mais espaço entre as mulheres. Desde cedo, elas aprendem a observar o corpo e a buscar acompanhamento médico de forma regular, visto que o acompanhamento anual com ginecologista acontece de forma precoce e regular. Já os homens, muitas vezes, não tiveram o mesmo incentivo, e isso ajuda a explicar por que enfrentam mais doenças graves e chegam mais tarde aos consultórios.
Também há fatores práticos que dificultam o acesso. Rotinas de trabalho extensas, compromissos familiares e a dificuldade de conciliar horários acabam fazendo com que a ida ao médico seja adiada. Além disso, o medo do diagnóstico ainda é um obstáculo comum. Muitos evitam exames por receio do que podem descobrir, mas quanto mais cedo uma doença é identificada, maiores são as chances de tratamento e cura.
Outro ponto que ainda precisa ser desmistificado é o preconceito em torno de alguns exames. O toque retal para avaliação da próstata, por exemplo, é rápido e seguro, e hoje o PSA, um simples exame de sangue, já é considerado o principal exame inicial de rastreamento. Ambos têm papel importante na detecção precoce do câncer de próstata.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) vem atuando justamente para mudar esse cenário, com ações voltadas à aproximação dos homens dos serviços de saúde:
- Consultas de pré-natal do parceiro, que incentivam a participação ativa durante a gestação e ajudam a criar o hábito de cuidar da própria saúde;
- Ações em locais de convivência masculina, como obras, fábricas, praças e campos de futebol, para levar informação onde os homens estão;
- Horários estendidos nas Unidades Básicas de Saúde, facilitando o acesso de quem tem rotinas longas ou inflexíveis;
- Grupos de conversa sobre saúde e bem-estar masculino, que estimulam o diálogo e quebram tabus;
- Atendimento humanizado e acolhedor, com escuta ativa e respeito às particularidades de cada homem;
- Busca ativa na comunidade, em que profissionais de saúde orientam quem ainda não procura atendimento regularmente.
Essas estratégias são fundamentais, mas o passo mais importante ainda é individual: transformar o cuidado em parte da rotina.
O papel dos hábitos de vida na prevenção
Quase todas as doenças citadas até aqui têm algo em comum: elas podem ser evitadas ou controladas com mudanças de comportamento.
A genética tem seu peso, mas é o estilo de vida que define a maior parte dos resultados. Alimentação, sono, movimento e equilíbrio emocional formam a base da prevenção. E quando o cuidado vira hábito, a saúde deixa de ser um desafio e passa a ser parte natural da vida.
Alimentação equilibrada
A alimentação é um dos pilares mais importantes da saúde, e também um dos que mais sofre com a correria do dia a dia. É comum que a rotina masculina privilegie o que é rápido e prático, mas isso quase sempre significa alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, sal e açúcar, e pobres em nutrientes.
Comer bem não precisa ser complicado. O segredo está no equilíbrio:
- Carboidratos integrais fornecem energia de forma mais estável. Escolha arroz integral, aveia, quinoa e batata-doce em vez de versões refinadas;
- Proteínas de qualidade são fundamentais para preservar a massa muscular, especialmente após os 40 anos. Inclua carnes magras, peixes, ovos e leguminosas no dia a dia;
- Gorduras boas são necessárias para o funcionamento do corpo. Prefira azeite de oliva, castanhas, peixes e abacate;
- Hidratação é simples e essencial. A recomendação é de cerca de 35 ml por quilo de peso corporal. Para um homem de 80 kg, isso significa quase 3 litros por dia. A água ajuda o intestino, previne pedras nos rins e melhora a disposição. Se a urina estiver muito escura, é sinal de que o corpo precisa de mais líquidos.
- Menos sal ajuda a controlar a pressão arterial. O consumo médio do brasileiro é o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde;
- Álcool com moderação é fundamental. O consumo aumentou após a pandemia, especialmente entre homens, e o excesso está associado a doenças graves como cirrose, pancreatite, câncer e hipertensão, além de impactar a saúde mental.
Se você sente dificuldade para organizar a alimentação ou tem condições como diabetes, hipertensão ou colesterol alto, consultar um nutricionista pode fazer toda a diferença. Esse profissional ajuda a montar um plano alimentar personalizado, que considera sua rotina, seus objetivos e suas necessidades específicas de saúde.
Atividade física regular
O movimento é um dos melhores remédios que existem. Apenas 30 minutos de atividade física moderada, pelo menos quatro vezes por semana, já reduzem o risco de infarto, AVC, diabetes e pressão alta.
Exercícios também trazem benefícios imediatos: melhoram o sono, o humor, a disposição e reduzem o estresse. Depois dos 40 anos, incluir musculação na rotina se torna ainda mais importante. A perda natural de massa muscular acelera nessa fase, e manter os músculos ativos é uma forma de garantir mais força, equilíbrio e longevidade.
O segredo é criar o hábito. Em vez de promessas vagas, estabeleça metas concretas: "segunda, quarta e sexta, das 18h às 18h30, caminhada no parque". Nosso cérebro responde melhor a compromissos claros. Trate esse horário como um encontro com você mesmo, um compromisso com sua saúde e com os anos de vida que você ainda quer viver bem.
Supressão do uso de tabaco, álcool e drogas ilícitas
O cigarro é o principal fator de risco evitável de morte no mundo. Está diretamente relacionado ao câncer de pulmão, boca, laringe, esôfago, bexiga e pâncreas, além de doenças cardíacas e respiratórias graves como DPOC e enfisema.
Parar de fumar é uma das decisões mais transformadoras que um homem pode tomar. O corpo começa a se recuperar poucas horas após o último cigarro. Existem diversas formas de apoio, como adesivos de nicotina, medicamentos, acompanhamento médico e grupos de apoio. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece programas gratuitos que ajudam nesse processo.
Além disso, drogas ilícitas estão associadas a comportamentos de risco, dependência e mortes evitáveis. Buscar ajuda profissional nestes casos é um ato de coragem e o primeiro passo para viver com mais equilíbrio e qualidade.
Consultas e exames que todo homem deve fazer
A consulta anual com clínico geral ou médico de família é a base da prevenção. Nessa consulta, vários aspectos são avaliados: pressão arterial, exames de sangue básicos (hemograma, glicemia, colesterol e frações, triglicerídeos, função renal e hepática), além de orientações sobre estilo de vida.
- O exame de PSA é recomendado a partir dos 50 anos. Homens com fatores de risco, como histórico familiar ou descendência negra, devem iniciar a avaliação aos 45 anos, mediante orientação médica;
- Avaliação cardiovascular pode incluir eletrocardiograma, ecocardiograma ou teste ergométrico, conforme idade, fatores de risco e sintomas;
- Avaliações complementares com dentista e oftalmologista também fazem parte do cuidado integral. A saúde bucal tem relação direta com doenças cardíacas, e o acompanhamento oftalmológico é essencial após os 40 anos para prevenir glaucoma e catarata.
O papel do médico de família
Ter um médico de referência faz toda a diferença. É ele quem conhece seu histórico, acompanha sua evolução e coordena todo o cuidado de forma integrada, encaminhando para especialistas quando necessário.
Cada homem tem uma trajetória diferente, o que significa que o plano de exames e prevenções também deve ser personalizado. Idade, histórico familiar, estilo de vida e profissão são fatores que ajudam o médico a definir a melhor estratégia de acompanhamento para você.
Aqui na Leve Saúde, trabalhamos com o conceito de Atenção Primária à Saúde (APS). Na prática, isso significa que você pode contar com um médico de referência, alguém que conhece sua trajetória e ajuda a coordenar todo o cuidado de forma integrada.
Cuidar da saúde é uma escolha diária, e o acompanhamento médico regular é uma das formas mais eficazes de transformar essa escolha em resultado.
Mais tempo para viver começa com uma escolha
Cuidar da saúde não precisa ser complicado: precisa ser uma prioridade. É entender que o tempo dedicado à prevenção hoje se transforma em mais tempo de qualidade de vida amanhã. É poder estar presente para quem você ama, realizar planos e viver cada fase com mais disposição e tranquilidade.
A mudança começa em gestos simples: agendar uma consulta, fazer aquele exame que ficou para depois, falar sobre o que você sente, colocar o corpo em movimento, escolher melhor o que vai no prato. Cada atitude é um passo a mais em direção a uma vida mais leve.
No Rio de Janeiro e na região metropolitana, a Leve Saúde oferece cobertura em municípios como Niterói, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São Gonçalo, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti. A operadora também está presente em Curitiba, no Paraná, com planos e uma rede de atendimento voltados à prevenção, ao acompanhamento e ao cuidado contínuo.
Porque saúde não é privilégio. É direito. E toda pessoa merece viver mais tempo com bem-estar, cercada de quem ama.
Conheça os nossos planos de saúde e transforme o cuidado em parte da sua rotina.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre a saúde do homem
Reunimos aqui as dúvidas mais comuns sobre prevenção, cuidados e acompanhamento da saúde masculina. Se você ainda tem alguma dúvida sobre o tema, essas respostas podem ajudar a esclarecer e orientar suas próximas escolhas.
1. Como prevenir a saúde do homem?
A prevenção começa com o básico, mas exige constância. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono de qualidade, moderação no álcool e abandono do cigarro são pilares fundamentais.
Além dos hábitos, o acompanhamento médico regular faz toda a diferença. Consultas anuais, exames de sangue, avaliação da pressão arterial, PSA e colonoscopia (quando indicado) ajudam a identificar alterações precocemente. A partir dos 40 a 45 anos, esse cuidado deve ser ainda mais próximo. O segredo está em transformar o cuidado em rotina, e não em algo que só acontece quando surge um problema.
2. Quais são as principais dicas para cuidar da saúde masculina?
Agende consulta anual e proteja esse horário. Faça exames de rotina no período indicado pelo médico. Pratique exercícios ao menos 4 vezes por semana e inclua musculação após os 40 anos. Alimente-se bem, priorizando vegetais, grãos integrais e proteínas magras, e evite ultraprocessados. Beba pelo menos 2 litros de água por dia. Durma 7 a 8 horas por noite. Cuide da saúde mental e converse sobre o que sente. Não ignore sintomas ou mudanças no corpo. Se tem histórico familiar de doenças, reforce a prevenção.
3. Quais são os 5 eixos da saúde do homem?
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) estrutura o cuidado com a saúde masculina em cinco eixos: (1) Acesso e acolhimento, facilitando entrada nos serviços de saúde com horários ampliados e atendimento humanizado; (2) Saúde sexual e reprodutiva, incluindo prevenção de ISTs, planejamento familiar e disfunções sexuais; (3) Paternidade e cuidado, estimulando participação ativa na gestação, parto e criação dos filhos; (4) Doenças prevalentes, com foco em prevenção e tratamento das principais causas de adoecimento; (5) Violência e saúde mental, incluindo enfrentamento da violência e prevenção ao suicídio.
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